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Cursos sobre Vinhos

Geralmente pessoas que acompanham a confraria me pedem indicações de cursos sobre vinhos. Então, vou comentar sobre alguns, mas já adianto que temos uma grande variedade de escolas, porém nesses espaços você não encontra muita pluralidade de público.

Vou começar falando da Wset, uma escola de origem inglesa, voltada para apreciadores de vinho e profissionais que desejam aprimorar seus conhecimentos. A Wset está presente em vários países, inclusive aqui no Brasil, onde temos duas escolas que oferecem esses cursos que são: a Eno Cultura e a The Wine School. Esses cursos são de moldes europeus e exploram os aromas clássicos, como a groselha por exemplo. É um curso importante para o profissional principalmente porque dá certificado internacional.

O curso tem 3 níveis. O primeiro apresenta aspectos básicos. O segundo tem foco em uvas e climas. E o terceiro reforça os conteúdos dos dois primeiros níveis e aborda outros estilos de vinhos. Além disso, esse curso também é procurado por profissionais que trabalham no ramo de trade.

Outra escola que vale muito a pena conhecer é o Ciclo das Vinhas, da sommeliérie Alexandra Corvo, que é pioneira no ramo educacional de vinhos no Brasil. O meu contato com a Alexandra foi somente o profissional, e considero suas aulas super fáceis de entender porque ela usa uma linguagem simples. O ciclo oferece aulas de um dia, que são bem esclarecedoras, e também tem cursos de formação profissional que duram mais tempo. Quem tiver a oportunidade de conhecer a escola verá uma biblioteca só de livros de vinho.

A instituição Senac, presente em todo o Brasil, tem formação de profissional de sommelier com um curso de 144 horas. Esse foi o primeiro curso que fiz na área, e foi um divisor de águas para minha vida profissional. Trata-se de um curso bem didático com bastante degustações e bons professores. E o melhor de tudo é que oSenac oferece uma boa estrutura. O Senac oferece também curso básico introdutório, para iniciantes e apreciadores de vinho.

Eu já fiz cursos em todas as escolas citadas acima e recomendo. E também há outra instituição bem conhecida no meio que é Abs – Associação brasileira de Sommelier. Referência no Brasil, essa escola também é pioneira no ramo educacional. Apesar do reconhecimento dessa escola, eu nunca fiz um curso lá, porém acho válido citá-la nesse post. Caso você tenha interesse pesquise para verificar os cursos que eles oferecem.

Todas as escolas que eu citei acima estão fazendo, nesse momento pandêmico, cursos online, é só verificar a grade da escola disponível nos sites. Espero ter ajudado vocês e bons estudos.


Kemet e Vinho

Os encontros da Confraria das Pretas no momento estão acontecendo online. As confraternizações acontecem com vários temas diferentes e regados a vinho. O encontro do mês de outubro foi sobre Kemet, eu ainda estou impactada com ele e por esse motivo resolvi começar a escrever mais no blog.

Mesmo o encontro sendo online deu para transmitir muito afeto entre os participantes. Convidei a professora e historiadora especialista em relação étnicos raciais Mônica Faria, para dialogar com a gente. Ela nos contou que os Keméticos já produziam vinho bem antes do famoso Deus Baco existir.

Kemet é o verdadeiro nome do Egito, país que se localiza no norte da África. Os keméticos foram os primeiros, digamos assim a sistematizar o conhecimento. Foram os primeiros pensadores, os primeiros astrólogos e também os primeiros a fazerem o vinho e a comercializá-lo. Em kemet, o solo era bastante fértil, o que permitia o cultivo das videiras, com isso eles produziam os próprios vinhos e os deixavam reservados em ânforas. As safras ficavam inscritas nas ânforas. A professora Mônica compartilhou com a gente, fotos sobre a descoberta arqueológica de uma tumba em que fora encontrada ânforas com vinhos tintos e vinho branco.

E foi através dessas falas que nós, pretas e pretos, fomos nos acolhendo e ouvindo um ao outro. Essa conversa aconteceria regada a vinho, mas eu quis fazer uma provocação com uma degustação de espumantes que sempre vi ligado às pessoas brancas. Quem dialogou nessa degustação foi a convidada Antônia Cruz, mas conhecida como afrommeliére, a qual nos ajudou a escurecer esse dialogo rico, potente e descolonizador, tendo o vinho como testemunha.

Os encontros da Confraria acontecem uma vez ao mês e nesse período pandêmico está sendo realizado online.


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