Um nome e dois sabores: Você sabia que existe mais de um tipo de riesling?

Pois é, existem duas versões desta uva, e aqui vou explicar a diferença entre elas para que você possa fazer a melhor escolha na hora de comprar seu vinho. O tipo mais famoso e, provavelmente, o que você devia pensar que era o único, é a Riesling Renana – ela quase dispensa apresentações, porque é a queridinha de qualquer amante de vinho em todo o mundo. Estudos apontam que ela se originou na Alemanha, e os vinhos feitos com essa uva são muito cobiçados. Apesar disso, ela é plantada em várias regiões do mundo, e se comporta de modo diferente a depender do clima de cada região. Além do mais, existem vários estilos de vinho feitos com essa uva: desde os mais secos, como o trocken; até os mais doces, que são estilos de sobremesa, como é o caso do trockenbeerenauslese. Os aromas dessa uva são inconfundíveis, as mais frutadas lembram damasco, nectarina, pêssego, maçã, pêra, abacaxi e limão. Existem também as Riesling(s) com aromas de ervas, especiarias, flores e minerais; essas, quando estão envelhecidas, ganham aquele clássico e polêmico cheiro de diesel, gasolina. De modo geral, elas mantêm uma acidez alta, pois essa é a espinha dorsal para ter um vinho que fique equilibrado no paladar.
Bom, e a outra Riesling? O seu primeiro nome é o mesmo, no entanto, não tem nenhuma ligação com a de origem alemã. Não se sabe ao certo qual sua gênese, mas estudos teorizam que ela veio da Croácia ou do norte da Itália. Além destes países, sua plantação está concentrada na Áustria, Hungria e em outros lugares da Europa central e ocidental. Ela é chamada de Welschriesling, e tem sinônimos como Grasevina ou Riesling Itálico – como você já deve ter visto em algum rótulo. Independentemente do nome que você dê, esta uva possui características totalmente diferentes da primeira: os vinhos feitos com a Riesling
Itálico são mais neutros, e abrangem vários níveis de qualidade. Aqui no Brasil, ela é muito utilizada na produção de espumantes e vinhos de entrada. O aroma traz notas frutadas de maçã verde e frutas cítricas. No paladar, os vinhos se mostram leves e com alta acidez.
Agora que você sabe da diferença entre essas uvas, não espere a complexidade e a elegância dos vinhos feitos com a Riesling Renano quando se compra um vinho elaborado com a Riesling Itálico. A segunda irá te entregar um estilo mais simples, leve e descompromissado. Ambas têm suas qualidades, e podem ser utilizadas da melhor forma, a depender da ocasião e de sua necessidade. Vale dizer que, via de regra, os vinhos feitos com a Renano costumam ter um custo mais elevado do que os feitos com a Itálico. Espero que sejam felizes em suas escolhas!

Texto feito por Kaio Alves e adaptado por Bruno Barra